Há quase 40 anos servindo filosofia barata sobre assuntos caros.

O pingente e o cordão

Carregava na altura do peito um bonito pingente,
em cujo centro o belo brilho de uma gema reluzia.
Foi a pedra por anos polida diligentemente,
e uma corrente dourada os desejos a ela conduzia.

Mas há no mundo aqueles a quem machuca o brilho,
e que amaldiçoariam o sol por lhes deitar o resplendor.
E eu que tenhos pés errantes, pelas sendas andarilho,
tive meu tesouro tomado pelo rapineiro salteador.

Foi-se embora o colar, foi-se embora o calor.
Quem sou eu, ó Absoluto? Tornei-me aquele que nada sou,
e por sobre a minha alegria saltimbancou o palhaço da dor.

Possa eu quem sabe um dia, resgatar minha alegria.
Reencontrar o meu tesouro e a perda virar memória,
fazendo renascer a Glória desta minha força arredia.

(Raphael Nery de Vasconcellos)

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