Carregava na altura do peito um bonito pingente,
em cujo centro o belo brilho de uma gema reluzia.
Foi a pedra por anos polida diligentemente,
e uma corrente dourada os desejos a ela conduzia.
Mas há no mundo aqueles a quem machuca o brilho,
e que amaldiçoariam o sol por lhes deitar o resplendor.
E eu que tenhos pés errantes, pelas sendas andarilho,
tive meu tesouro tomado pelo rapineiro salteador.
Foi-se embora o colar, foi-se embora o calor.
Quem sou eu, ó Absoluto? Tornei-me aquele que nada sou,
e por sobre a minha alegria saltimbancou o palhaço da dor.
Possa eu quem sabe um dia, resgatar minha alegria.
Reencontrar o meu tesouro e a perda virar memória,
fazendo renascer a Glória desta minha força arredia.
(Raphael Nery de Vasconcellos)