Sou como um aprendiz de artesão
Que hesita tristemente diante de um bule quebrado.
Sem confiança, temperança ou formação,
Recolho trêmulo cada caco espalhado.
O que com graça faz um mestre japonês,
Que com dourada seiva preenche cada rachadura,
Faço com descuido, e já o bule se parte outra vez.
E a mim são reservadas as penas mais duras.
Torna-se, então, o bule quebrado a minha queixa:
Por que tão traiçoeiramente havia o desgraçado
De saltar das puras mãos da gueixa?
Apenas para rachar-se bruscamente,
E nas mãos de ignorante artesão
Ser preenchido de áurea seiva novamente.
(Raphael Nery de Vasconcellos)