Há quase 40 anos servindo filosofia barata sobre assuntos caros.

O Zen Etílico

Sou como um aprendiz de artesão
Que hesita tristemente diante de um bule quebrado.
Sem confiança, temperança ou formação,
Recolho trêmulo cada caco espalhado.

O que com graça faz um mestre japonês,
Que com dourada seiva preenche cada rachadura,
Faço com descuido, e já o bule se parte outra vez.
E a mim são reservadas as penas mais duras.

Torna-se, então, o bule quebrado a minha queixa:
Por que tão traiçoeiramente havia o desgraçado
De saltar das puras mãos da gueixa?

Apenas para rachar-se bruscamente,
E nas mãos de ignorante artesão
Ser preenchido de áurea seiva novamente.

(Raphael Nery de Vasconcellos)

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