A língua apanha, o dente rasga.
Rompe-se a renda e o tecido cai.
Bebe, Eros, o mel das minhas ancas,
Vai, Libido! – E a Libido vai.
Comungo do teu banquete: bebo.
O eucarístico vinho da tua comunhão.
Sou deus de sangue, e como deus assim exijo:
A dor – o bálsamo da eclesiástica relação.
Comungo do teu banquete: como.
Firo a carne com a ponta do meu bastão.
É minha parte, do cu ao cono.
Dos pés à cabeça, é a minha oblação.
A dor, o grito. O prazer, o gemido.
São as quatro teses desta minha teologia.
São os quatros sacramentos desta minha liturgia.
(Raphael Nery de Vasconcellos)