Acordei me sentindo Kahlil Gibran!
Um bigode hirsuto sob um nariz heróico,
Olhos castanhos e vivos como a noz da avelã,
A virilidade rija de um sábio estóico.
Fui dormir me sentindo um rato molhado.
Com os olhos inchados de miséria,
A face cansada sob os cabelos já ralos,
O corpo cansado de um filho da tragédia.
Quanto amor, Gibran, um homem precisa ter,
Para unir-se ao Deus da natureza no cotidiano,
E pela pobreza da vida citadina não se deixar abater?
Dizei-me, meu Profeta: se tanto mais alegria
a profundamente triste alma poderá conter,
Por que ainda me sinto triste todo dia?
(Raphael Nery de Vasconcellos)