Há quase 40 anos servindo filosofia barata sobre assuntos caros.

Acordei Kahlil Gibran

Acordei me sentindo Kahlil Gibran! 
Um bigode hirsuto sob um nariz heróico, 
Olhos castanhos e vivos como a noz da avelã, 
A virilidade rija de um sábio estóico. 

Fui dormir me sentindo um rato molhado. 
Com os olhos inchados de miséria, 
A face cansada sob os cabelos já ralos, 
O corpo cansado de um filho da tragédia. 

Quanto amor, Gibran, um homem precisa ter, 
Para unir-se ao Deus da natureza no cotidiano, 
E pela pobreza da vida citadina não se deixar abater? 

Dizei-me,  meu Profeta:  se tanto mais alegria 
a profundamente triste alma poderá conter, 
Por que ainda me sinto triste todo dia? 

(Raphael Nery de Vasconcellos)

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